
Cidade é cotada em projetos de investimentos diariamente e governo local aposta na infraestrutura
Mas há outros elementos como a guerra fiscal entre municípios e também o encarecimento do custo de imóveis e terras no município que podem atrapalhar na hora da decisão das empreas. A Administração municipal têm leis de incentivos, principalmente para negócios limpos e de base tecnológica. Segundo representantes do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT), os projetos das macrozonas vêm para definir áreas que possam ser utilizadas pelo setor produtivo. No mercado imobiliário, há preocupação com a escassez de áreas voltadas às empresas produtoras, principalmente em regiões próximas às vias estratégicas para escoamento da produção.
A reportagem da Agência Anhanguera de Notícias (AAN) apurou nos meios empresariais e imobiliários que a fabricante de produtos eletroeletrônicos Samsung estaria buscando por uma grande área para implantar uma fábrica de eletrodomésticos em Campinas. A multinacional coreana já tem unidade no município produtora de celulares e notebooks. A assessoria de imprensa da empresa informou que 'a Samsung sempre estuda/pesquisa locais para instalação de novas unidades de produção, porém, não há nada fechado' .
O presidente da Hildebrando Brasil, Mário Sérgio Rachid, afirmou que a empresa está analisando a implantação de uma fábrica de softwares e Campinas é uma das cidades que estão sendo avaliadas. 'Vamos definir ainda este mês. O objetivo é começar a operar em abril' , antecipou o executivo. A empresa atua na área de tecnologia da informação (TI) e pretende contratar entre 150 e 200 funcionários. 'Nós estamos prospectando onde será a fábrica. Campinas é uma cidade que reúne características relevantes para a nossa operação: mão de obra qualificada, proximidade com o mercado consumidor e estrutura para empresas do ramo de atividade da Hildebrando' , disse.
A empresa estaria analisando dois espaços para instalar a unidade. O investimento seria de R$ 1 milhão a R$ 1,2 milhão. A Hildebrando está há seis meses no Brasil e tem uma unidade no Rio de Janeiro. Com presença em vários países, o grupo, segundo Rachid, acredita no potencial do Brasil e vai investir na unidade de produção de softwares.
Aviação
Outra empresa que estuda a possibilidade de ter um empreendimento Campinas é a Azul Linhas Aéreas Brasileiras. Depois de apostar no Aeroporto Internacional de Viracopos como o principal centro de distribuição de seus voos, a companhia avalia a implantação do centro de treinamento de pilotos. Porém, um fator que pode inviabilizar o investimento é o custo de terrenos. A empresa gostaria de erguer a Universidade Azul próximo do aeroporto. 'O projeto é para o futuro e quando tiver totalmente completo também abrigará um hotel para 200 ou 300 quartos' , revelou o presidente da empresa, Pedro Janot.
Ele reclamou que o custo de áreas em Campinas é muito elevado e que a Azul analisa outros endereços para o projeto. Hoje, os pilotos da companhia são treinados em um simulador instalado na sede da empresa no município de Barueri. O objetivo é aumentar o espaço dedicado para a capacitação dos profissionais da aérea e, posteriormente, também oferecer serviços para outras empresas que operam aeronaves semelhantes às usadas pela empresa. A frota atual é formada por equipamentos Embraer e ATR. 'O maior entrave em Campinas é o custo da terra. O valor do metro quadrado está fora de propósito' , reclamou.
Vantagem
O secretário de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo, Rui Rabelo, afirmou que as vantagens competitivas oferecidas por Campinas são fatores que pesam favoravelmente para que as empresas se instalem no município. 'Campinas não entra em guerra fiscal. A cidade tem vantagens que são importantes para qualquer empresa como mercado consumidor, mão de obra qualificada, excelente infraestrutura, universidades, hospitais, qualidade de vida, Viracopos, rodovias que conduzem para várias regiões do País' , destacou. Ele confirmou que há várias empresas interessadas em vir para a cidade, mas não informou nomes e nem setores.
O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Sarti, afirmou que guerra fiscal e custo de terra não devem ser fatores para inviabilizar um investimento. Como Rabelo, o especialista salientou que o empresário analisa as oportunidades que se instalar em determinada região pode oferecer ao seu negócio. 'Fatores relevantes na hora da decisão são estrutura, mercado consumidor, mão de obra. A preocupação dos governantes deve ser prover a cidade de infraestrutura para que exista um ambiente que favoreça a injeção de novos investimentos. A guerra fiscal deveria ser proibida, pois não é benéfica a ninguém' , criticou.
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