quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Comissão de arborização sai do papel após 8 anos

A comissão deveria ter sido instituída em 2003, quando foi sancionada a lei que disciplinou o plantio e o uso adequado e planejado da arborização urbana


Com oito anos de atraso, foi instalada ontem a Comissão Técnica Consultiva de Arborização Urbana, que irá assessorar o órgão responsável sobre plantio e manutenção de árvores em Campinas. A preocupação central é trabalhar com o Departamento de Parques e Jardins (DPJ) para que as podas radicais de árvores sejam extintas das práticas utilizadas tanto pela Prefeitura quanto pela empresa distribuidora de energia elétrica. Além do atraso de oito anos, a comissão foi instalada incompleta — quatro entidades deixaram de indicar representantes.

Formado por nove membros, o grupo tem representantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto Agronômico (IAC) de Campinas, Instituto Biológico (IB), Associação Regional dos Escritórios de Arquitetura de Campinas (Area), Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campinas (Aeac), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Prefeitura e ambientalistas. Cati, Area, Aeac e Embrapa ainda não indicaram representantes.

A comissão deveria ter sido instituída em 2003, quando foi sancionada a lei que disciplinou o plantio, replantio, a poda, a supressão e o uso adequado e planejado da arborização urbana. A principal crítica de ambientalistas é que a legislação não está sendo cumprida. A lei definiu, por exemplo, que as vias urbanas deveriam ser arborizadas com espaçamento que permita o mínimo de cem árvores por quilômetro de calçada, desde que tecnicamente recomendado. As podas deveriam ocorrer com justificativa técnica.

“Temos que acabar com a cultura antiárvore que existe na cidade, definindo as espécies adequadas, fazendo a manutenção, diagnosticando as árvores para ver a real necessidade de poda ou de extração. O que se vê hoje em Campinas é uma lástima”, afirmou o diretor da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Joaquim Cavalcanti Neto.

O advogado Marcos Roberto Boni, que integra a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), defendeu ontem que, antes de cortar uma árvore, o DPJ disponilize para a sociedade o laudo técnico que indica o corte. “O que temos hoje na cidade são árvores podadas inadequadamente, com levantamento excessivo da copa e uma política tímida de plantar palmeiras. Se há espaços, o plantio deveria ser de árvores frondosas, que pudessem interferir na qualidade do clima da cidade. O plantio não irá salvar o planeta, mas irá interferir no microclima, com sombra e melhoria na umidade do ar”, disse.

O diretor do DPJ, Fabio Giardini, afirmou à comissão que está reestabelecendo parâmetros para que as podas sejam feitas corretamente. “As ações que foram realizadas nas praças trouxeram as pessoas para esses espaços. Agora, vamos trabalhar com a comissão para aprimorar técnicos, conceitos e ações”, disse.

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