quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Trote leva às ruas bixo 'avatar' em busca de moedas

Quem passou pelas vias centrais da cidade pôde ver jovens pintados, principalmente com tinta verde e azul, com a ideia de remeter aos personagens do filme Avatar


A recepção de boas-vindas dos cerca de 6 mil alunos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), na manhã de ontem, não fugiu do tradicional: calouros forçados a ingerir bebidas alcoólicas, corpos cobertos de tinta e farinha, roupas rasgadas, cortes de cabelo e jovens pedindo dinheiro em semáforos debaixo de sol forte para pagar a conta do bar. Mesmo com os excessivos alertas da instituição sobre os perigos do trote violento e até a iniciativa de prolongar o início do ano letivo dos veteranos, as brincadeiras perigosas e as humilhações continuam fazendo parte do trote universitário. Quem passou pelas vias centrais da cidade pôde ver jovens pintados, principalmente com tinta verde e azul, com a ideia de remeter aos personagens do filme Avatar.

No cruzamento das avenidas Júlio de Mesquita com Benjamin Constant, por volta das 10h30, alunos dos cursos de Direito e publicidade e propaganda se dividiam para abordar os motoristas. O estudante Felipe Melo, que está no 2º ano de publicidade e segurava uma garrafa de pinga enquanto conversava com a reportagem do Correio, disse que tudo se trata apenas de uma brincadeira saudável. “Funciona assim: quem não conseguir arrecadar dinheiro no semáforo tem que tomar uma dose de pinga. Mas a gente só dá no máximo duas doses. Obviamente, não forçamos ninguém e não queremos ninguém bêbado, é só uma brincadeira. Na verdade, a maioria dos bixos que bebem é porque pedem para gente.”

Um calouro, que não quis se identificar, foi um desses alunos. Ele se ajoelhou na frente de uma estudante do 2 ano e disse que precisava de combustível. A jovem abriu a garrafa e despejou uma quantidade significativa de pinga na boca do rapaz que, após ingerir a bebida, voltou ao semáforo para pedir dinheiro.

“Não tem violência. A gente respeita quem não quer participar. Eu fui cortar o cabelo de um menino, mas ele disse que não podia porque atrapalharia o trabalho, então, ninguém fez nada. É só uma forma de comemorar a entrada na faculdade”, disse Henrique César, aluno do 3º ano de administração de empresas.

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