
Perguntas e respostas sobre a febre maculosa no Lago do Café:
Quais são os carrapatos que transmitem a Febre Maculosa Brasileira (FMB) para o homem?
Embora possa haver outros carrapatos do gênero Amblyomma também envolvidos no ciclo silvestre da doença, o carrapato Amblyomma cajennense é reconhecido hoje como o principal transmissor da FMB para o homem. Esta espécie de carrapato é a que mais comumente parasita o ser humano. Os nomes populares deste carrapato são micuim, na sua fase de larva e carrapato estrela na sua fase de ninfa. Em qualquer fase da vida este carrapato pode transmitir FMB ao picar o ser humano. É importante destacar que os carrapatos de cães, Rhipicephalus sanguineus, não são transmissores da FMB.
As capivaras não são protegidas por Lei Federal? Por que o IBAMA autorizou o abate?
O IBAMA autorizou o abate por entender que é a única forma de proteger a população que freqüenta o Lago do Café do risco de FMB. Ou seja, o órgão ambiental responsável pela proteção da fauna e flora brasileiras entende que o Lago do Café, na atual situação, representa um grave risco à saúde pública e indicou o abate deste roedor protegido por lei.
Por que as capivaras não podem ser transferidas do Lago do Café para outro local, como alternativa ao abate?
As capivaras que estão no Lago do Café são hospedeiras de uma enorme quantidade de carrapatos infectados pela bactéria causadora da FMB (Rickettsia rickettsii). Caso sejam transferidas, levarão junto as bactérias e espalharão a doença.
Por que não usar carrapaticidas, tanto nas capivaras quanto no local?
Já foi tentado este tipo de abordagem em outros locais, sem sucesso. Houve apenas uma diminuição da população de carrapatos, mas o risco de FMB se manteve.
Por que não usar repelentes e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os freqüentadores do parque?
Os repelentes podem até ajudar, mas não garantem proteção absoluta. Os EPIs para proteção contra os carrapatos são extremamente desconfortáveis. Para se ter proteção garantida os técnicos que trabalham com esta doença usam macacões parecidos com os usados para apicultura, manejo de abelhas.
Se as capivaras forem eliminadas, o parque será reaberto ao público quanto tempo depois?
Mesmo com a eliminação das capivaras os carrapatos continuarão no solo e nas folhagens e, portanto, deverá ser feito um trabalho de manejo ambiental para acabar definitivamente com a infestação. Este trabalho será acompanhado de monitoramento da infestação até que seja concluído. Portanto, não é possível estabelecer um prazo para a reabertura.
Qual a importância das capivaras na cadeia de transmissão da Febre Maculosa?
A capivara tem dois papéis importantíssimos na cadeia de transmissão da FMB. A capivara, o cavalo e a anta são os únicos hospedeiros primários doAmblyomma cajennense, carrapato responsável pela transmissão da FMB para o homem. Ou seja, em um local em que não há estes mamíferos, este carrapato não consegue se estabelecer. Outro papel-chave da capivara é o de se infectar pela bactéria e transmiti-la para os outros carrapatos, até então livres da bactéria e que estejam parasitando-a.
Os outros animais que permanecerem no Lago do Café (ex: gambás, preás, aves...) não manterão os carrapatos no parque? Por que o foco é apenas a capivara?
Embora os outros animais citados também possam ser parasitados pelo carrapato Amblyomma cajennense, eles não conseguem manter uma população sustentável. Ou seja, com o passar do tempo este carrapato tende a desaparecer se não houver capivara, anta ou cavalo no local.
Por que a indicação de eliminar as capivaras do Lago do Café e não as de outros locais?
O Lago do Café é um parque fechado com alambrado e já foi confirmado ser um local com transmissão de FMB. Ou seja, as capivaras que vivem lá são parasitadas pelos carrapatos infectados pela Rickettsia rickettsii, bactéria causadora da FMB. Nos últimos anos, quatro pessoas tiveram febre maculosa contraída naquele local, sendo que três morreram. Além disto, não é possível controlar as capivaras de vida livre, pois as populações são rapidamente repostas por migração e/ou reprodução, o que não acontecerá no Lago do Café por ser um local fechado.
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