quinta-feira, 7 de abril de 2011

CPI da Setec quer ouvir Sanasa sobre despejo de sangue no esgoto

CPI da Setec quer ouvir Sanasa sobre despejo de sangue no esgoto

Depoimento da presidente da Setec, Tereza Dóro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de Campinas para apurar irregularidades em procedimentos no serviço funerário da cidade, vai ouvir técnicos da Sanasa e da Cetesb, sobre eventuais contaminações na água provocadas pelo despejo de dejetos humanos na rede de esgoto. No dia 23 de março deste ano, também na Câmara, a presidente da Setec, Tereza Dóro disse ter ficado chocada com a rotina trabalho no setor funerário.


Segundo ela, o sangue retirado de cadáveres que supostamente foram submetidos a processos de tanatopraxia (técnica de conservação de corpos), era depositado em um tanque e, de lá, escoado para a rede de esgoto, sem qualquer tipo de tratamento. Hoje (06/04), em depoimento na CPI, Tereza Dóro reafirmou a existência do problema e disse que outras instituições adotam o mesmo procedimento da Setec. Em virtude disso, os vereadores decidiram chamar um técnico de cada uma dessas instituições, para que informem se há ou não riscos à população.


O presidente da comissão, vereador Petterson Prado (PPS), disse que além de ouvir os especialistas, a CPI poderá tomar esses depoimentos para o desenvolvimento de um projeto de lei que discipline esse tipo de atividade. “A Comissão trabalha em cima de um fato determinado, mas poderá também propor uma legislação para evitar que os problemas ocorram”, explicou.


Além dos técnicos, a CPI decidiu também convocar duas empresas que ofereciam cursos de tanatopraxia. Dois ex-presidentes da entidade, Achilli Sfizzo Junior e José Antônio de Azevedo, o responsável pela Divisão Funerária, Erivelto Luís Chacon e o agente de suporte técnico, Heitor Fernandes de Freitas Filho já haviam sido convocados e têm os depoimentos agendados.


No depoimento desta quarta-feira, a presidente da Setec, disse que fez o levantamento dos cursos de tanatopraxia realizados na autarquia durante o ano passado. Tereza Dóro disse que vai entrar em contato com as famílias que podem ter tido parentes cujos corpos foram utilizados nesses cursos.


De acordo com as denúncias feitas pela imprensa, cadáveres estavam sendo usados em cursos particulares irregulares de tanatopraxia. Os cursos eram realizados no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, nos Amarais e, de acordo com as denúncias os familiares não eram informados a respeito dos procedimentos.

Os cursos contavam com até 16 alunos, que pagavam perto de R$ 2 mil de matrícula. O material usado nos cursos era fornecido pela Setec.

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