segunda-feira, 5 de março de 2012

Exposição ao bisfenol A pode provocar doenças cardíacas a longo prazo

01/03/2012

Pela primeira vez, uma pesquisa concluiu que a exposição ao bisfenol A (BPA), substância presente em diversos produtos de plástico feitos a partir de policarbonatos, aumenta os riscos do aparecimento de doenças cardíacas ao longo da vida. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Exeter e da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, foi publicado na edição desta semana do periódico Circulation.

O BPA vem sendo acusado de provocar diversos danos à saúde por vários artigos científicos. São problemas como alteração do sistema endócrino, predisposição ao desenvolvimento de tumores, infertilidade, câncer de mama e de intestino, puberdade precoce, obesidade, Síndrome de Down e hiperatividade. No entanto, nunca havia sido feita a associação entre a substância e problemas cardíacos.

O novo estudo se baseou em dados do Epic (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition, na sigla em inglês), um levantamento populacional feito a longo prazo desenvolvido pela Universidade de Cambridge. Os pesquisadores compararam amostras de urina de 758 indivíduos que eram saudáveis quando participaram do estudo, mas desenvolveram doença arterial coronariana ao longo de dez anos, com amostras de 861 pessoas que também eram saudáveis, mas que continuaram sem problemas cardiovasculares. Os participantes tinham entre 40 e 74 anos quando o levantamento foi feito.

Os resultados demonstraram que aqueles que tinham maiores concentrações de BPA nas amostras de urina no começo do estudo tinham mais chances de sofrer de doença arterial coronariana nos dez anos seguintes. No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda é difícil determinar o quão prejudicial para o coração é a substância, mas que provavelmente ela atue junte a fatores de risco como tabagismo, e pressão e colesterol altos.

"Nosso estudo reforça a relação estatística que há entre BPA e doenças cardíacas. Entretanto, ainda não podemos afirmar que a substância cause diretamente o problema", afirma David Melzer, que coordenou o estudo. "Devemos, agora, exigir que os órgãos governamentais organizem testes de segurança do composto, já que não há clareza sobre como o bisfenol A se comporta no organismo", diz.

Substância perigosa — Com a divulgação de diversas pesquisas evidenciando os efeitos prejudiciais do bisfenol A aos indivíduos, especialmente às crianças, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estipulou, em setembro de 2011, o fim da comercialização de mamadeiras feitas a partir do BPA. A decisão, que já havia sido tomada por outros países, começou a valer no Brasil a partir do primeiro dia deste ano. Os médicos afirmam que a substância funciona como um desregulador endócrino, ou seja, imita a ação de hormônios no nosso corpo e, por isso, pode desencadear diversos problemas de saúde.

Fonte: Veja Online

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