Em depoimento a vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Casa para investigar o assunto, Azevedo contou que sempre que recebia demandas a respeito, encaminhava para os departamento competentes. “Jamais me passaria pela cabeça que procedimentos que vinham sendo adotados desde 1994 não tivessem um regra clara a ser cumprida”, disse. “Eu sabia que existia um documento com a autorização das famílias, como acho que ainda hoje existe. Agora, se todos os casos foram assinados, ou se algum caso não foi assinado, isso não posso garantir. Pode até ter sido uma falha minha. Deveria ter feito uma auditoria”, admitiu. “Quando eu circulava pela empresa, via as famílias sendo informadas. Se nas minhas costas não eram, não posso dizer”, acrescentou.
O ex-presidente disse que criou todas as condições para regularizar os procedimentos de tanatopraxia, mas não soube dizer as razões pelas quais o serviço nunca chegou a ser implantado. “Acho que essa é uma boa pergunta a ser feita ao Erivelto”, disse ele, referindo-se ao responsável pela Divisão Funerária, Erivelto Luiz Chacon.
Azevedo – que presidiu a Setec por 3 anos e meio (de meados de 2005 a dezembro de 2008) - foi duro com Chacon. “Ele era o todo poderoso da Setec. Tive muita dificuldade para conseguir obter informações sobre custos, por exemplo”, afirmou. “Porque ele se valia de um estratagema diferente. Ele trabalhava com produtos perecíveis, como flôres, arranjos, produtos químicos, cujo controle era complicado. Uma flor está aqui hoje, e amanhã já morreu. Enquanto que toda Setec tinha um almoxarifado geral, a Divisão Funerária tinha um almoxarifado exclusivo”, revelou. “Eu identifiquei essa distorção e mudei. Acabei com o reinado à parte dele na Setec”, acredita. Azevedo disse no entanto, não encontrou irregularidades nos procedimentos adotados por Erivelto.
O ex-presidente disse que a Setec jamais pagou ou comprou material usado nos cursos. “Quando eu percebi que a Setec oferecia o espaço, fiz garantir que haveria uma contrapartida. “Nós tínhamos de ter um funcionário nesses cursos. Hoje, temos de 25 a 30 funcionários capacitados. Mas nunca teve gastos com material”, disse.
Azevedo disse que foi chamado pelo prefeito Hélio de Oliveira Santos com a missão de resgatar a saúde financeira da empresa. “Se ela (Setec) fosse uma empresa privada estaria quebrada”, disse. “E isso foi feito. Hoje é uma empresa saudável”, garantiu.
DEPOIMENTO – A CPI volta a ser reunir nesta terça-feira para dois depoimentos. Os vereadores vão ouvir o agente de suporte técnico da Setec, Heitor Fernandes de Freitas Filho e o médico da Clínica Nossa Senhora da Conceição, Luiz César Almeida. A clínica responde pela assinatura dos atestados dos corpos que passam pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) no necrotério do Cemitério Nossa Senhora da Conceição.
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